Normalização aplicável e classificação Lamelado Colado B&M
Normalização aplicável e características gerais
As lamelas de madeira aplicadas nas camadas externas do lamelado-colado B&M, são seleccionadas seguindo as exigências de classificação EE, pela norma portuguesa NP 4305:1995 Madeira de pinheiro bravo para estruturas, tendo em conta os critérios descritos no Quadro I.
Quadro I – Características de classificação da madeira para a classe EE, aplicáveis e regras a cumprir na fabricação de lamelado-colado, NP 4305.
- Nós agrupados projectados nos topos (nós agrupados são aqueles em que a direcção do fio não recupera entre eles) - Não mais do que 1/5 da área total, quer na zona marginal, quer na zona central.
- Inclinação do fio - Menor do que 10 cm em cada metro, ou seja ângulo menor do que 5,7o.
- Taxa de crescimento anual média (espessura do crescimento de um ano)- Menor do que 6 mm
- Fendas superficiais. Comprimento na direcção paralela as fibras <300 mm - Admitidas
- Outras fendas superficiais - Comprimento menor do que do comprimento total do elemento e menor do que 600 mm.
- Fendas repassadas (fenda que atinge duas faces opostas de uma mesma peca) - Permitidas só nos topos, mas não mais do que uma fenda com o comprimento máximo, por cada metro. - Comprimento <600 m e - Comprimento <largura da peca
- Descaio - Não permitido
- Empeno em arco de face - Admitido se a peca encostar sem esforço ao conjunto a colar
- Empeno em arco de canto - Admitido se a peca encostar sem esforço ao conjunto a colar
- Empeno em hélice - Admitido se menor do que 1,5 mm por cada 2,5 mm de largura e 2 metros de comprimento
- Empeno em meia cana - Admitido se menor do que 1 mm por cada 2,5 mm de largura e 2 metros de comprimento
- Bolsas de resina repassadas e casca inclusa - Admitidas se forem mais curtas do que a largura da peca
- Bolsas de resina não repassadas e casca inclusa - Admitidas se forem de comprimento inferior a metade da largura da peca.
- Medula - Não admitida
- Podridões ou vestígios de ataque de insectos - Não admitidas
- Manchas de fungos de azulamento - Admitidas se pouco intensas (menos de metade da área exposta), mas sempre que possível evitável por razoes estéticas.
EN 301 - Adhesives, phenolic and aminoplastic, for load bearing timber structures: Classification and performance requirements.
Caracteriza o tipo de cola para madeira com fins estruturais de acordo com diferentes condições ambientais, Tipo I e Tipo II. A norma define uma serie de ensaios com diferentes condições ambientais e limites mínimos de resistência. As colas Tipo I suportam humidades relativas superiores a 85 %, e estão indicadas para exposição prolongada em ambiente exterior. As colas Tipo II podem ser utilizadas em ambiente exterior apenas pontualmente ou em ambiente abrigado, dado que resistem a humidade relativa inferior ou igual a 85 %. A cola utilizada no fabrico dos lamelados B&M e a cola melamina-formaldeido que se enquadra na classificação de cola do Tipo I.
EN 338- Structural timber - Strength classes
Esta norma estabelece os valores característicos para as diferentes classes de resistência, de rigidez e de densidade, para a madeira maciça com fins estruturais. Estão definidas classes desde C14 a C50 para Resinosas e classes desde D30 a D70 para Folhosas. O valor numérico corresponde ao valor característico da resistência a flexão em Mega Pascal.
As lamelas de pinho bravo utilizadas no fabrico do lamelado B&M foram sujeitas a uma classificação visual segundo os critérios de qualidade definidos na norma NP 4305, correspondendo a exigência da classe EE para as lamelas das camadas exteriores e as exigências da classe E para as camadas interiores.
Esta classificação permite, segundo a norma Europeia EN atribuir os valores característicos da classe C24 e C28 respectivamente.
EN 386:1995 - Glued laminated timber – Performance requirements and minimum production requirements
Esta norma define os procedimentos de fabrico com o objectivo de obtenção de produtos da maior qualidade, nomeadamente mantendo a boa integridade das ligações coladas durante todo o tempo de vida do componente. Definem-se três graus de exigência de utilização, que são: classe de serviço 1, a classe de serviço 2 e a classe de serviço 3, sendo a primeira para condições ambientais menos exigentes (ambiente mais seco), e a classe de serviço 3 para ambiente húmido. O método de fabrico do lamelado B&M enquadra-se num produto a ser utilizado na classe de serviço 2.
EN 391: 1995 - Glued laminated timber – Delamination test of glue lines
Esta norma tem por finalidade fazer uma caracterização da eficácia da cola face a ambientes de elevada humidade ou mesmo contacto com água. As colas designam-se desde D1 a D4, sendo D1 a menos resistente a humidade e a D4 a mais resistente a ambiente de elevada humidade. O ensaio simula condições extremas, após o que e feita uma verificação dos descolamentos e aberturas de fendas pelas linha de colagem. Os resultados dos ensaios realizados em laboratório oficial para os lamelados B&M permitem garantir que no ensaio de delaminacao a percentagem de fendas nas linhas de colagem e inferior a 40 %.
EN 1912:1998 Structural timber – Strength classes – Assignment of visual grades and species
Esta norma apresenta a listagem das classes de resistência mecânica atribuídas pela norma EN 338, tendo em conta a origem das madeiras e as normas nacionais de classificação visual ou classificação mecânica.
No que diz respeito ao pinho bravo, esta norma define que se a madeira tiver origem nacional e a classificação for feita segundo os critérios da NP 4305 cumprindo as exigências da classificação E (estruturas) teria atribuída a classe de resistência C18. Se a origem for Franca e a classificação for ST-II pela norma NF B 52-001:1996, o pinho bravo teria a classe de resistência C24. Tal como referido anteriormente, tendo em conta a classificação utilizada em fábrica, seria possível atribuir as lamelas utilizadas na fabricação da madeira lamelada-colada B&M a classe EE da norma portuguesa, a que corresponde a classe de resistência C35.
EN 1194:1999 Timber structures – Glued laminated timber – Strength classes and determination of characteristic values
Esta norma estabelece os valores característicos para as diferentes classes de resistência, de rigidez e de densidade, para a madeira lamelada colada homogénea com pelo menos 4 camadas. Estão definidas classes desde GL 24h a GL 36h para Resinosas, relativo a material em que todas as lamelas pertencem a mesma classe de resistência de madeira maciça. Também estão definidas classes desde GL 24c a GL 36c, referindo-se a madeira lamelada colada combinada, ou seja, em que as camadas exteriores tem classe de resistência superior as das camadas centrais. Por exemplo o GL28h tem de ter todas as lamelas de classe C28, enquanto que o GL28c pode ter camadas superficiais com classe C28 e camadas interiores com classe C24.
Tendo em conta a classificação das lamelas utilizadas no fabrico dos lamelados B&M, a classe de resistência a utilizar nos cálculos estruturais e a GL28h.
Quadro II – Valores característicos GL28h (NP EN 1194:2002 - Estruturas de Madeira. Madeira lamelada-colada. Classes de resistência e valores característicos).
| Designação | Simbologia | Valor característico | Unidade |
| Resistência a flexão | fm,g,k | 28 | MPa |
| Resistência a tracção // | ft,0.k | 19,5 | MPa |
| Resistência a tracção â´ | ft,90.k | 0,45 | MPa |
| Resistência a compressão // | fc,0.k | 26,5 | MPa |
| Resistência a compressão â´ | fc,90.k | 3,0 | MPa |
| Resistência ao corte | v.k | 3,2 | MPa |
| Modulo de elasticidade // médio | E0,med. | 12600 | MPa |
| Modulo de elasticidade â´ médio | E90.med. | 420 | MPa |
| Modulo de distorção médio | Gmed. | 80 | MPa |
| Massa volúmica (valor característico) | ρk | 410 | Kg/m3 |











